Essa é para o meu amigo Bruno não ficar curioso!
Na semana passada eu estava muito sensível (mulher tem dessas coisas), e tudo me abalava.
Eu sou inscrita nestas listas de proteção animal e vejo cada história de amargar. Pois bem, estava vindo para casa quando encontramos um cachorro (calma, o gato já vem), fuçando no lixo e mancando na calçada do meu bairro.
Veja bem, eu moro em um bairro relativamente classe alta (não que esta seja bem lá minha classificação "social", mas deixa isso pra lá), e não é comum ver cachorros de rua por aqui exceto esses de madame ou então grandes cães de guarda. Fiquei com dor no coração, queria pegá-lo, trazer pra casa, levar em um veterinário. Na hora o bom senso me fez desistir, faltaria dinheiro, faltaria espaço e provavelmente a receptividade de um cachorro grande na minha casa seria meio contestada pelas minhas duas pestes (vide foto ao lado).
Cheguei em casa triste, chorei, pensei em ir atrás do cachorro ao menos para levar ração mas não o achei mais...
Corta para 12:00 (noite)
Calor infernal, já de pijama lendo um livro no quarto ouço um miado constante. Pensei que fosse um gato de uma das vizinhas que as vezes aparece e se enrola nas nossas pernas, um amor! Mas quando abri a janela e vi era um filhotinho, branquinho, sozinho vagando pela rua.
Já havia abandonado um cachorro aquele dia, não faria o mesmo com o gato. Apesar dos protestos do meu marido troquei de roupa e fui atrás do gatinho. (sim, eu sei que moro em São Paulo e este provavelmente não é o melhor horário para resgatar um gato, mas enfim...). Ele era muito pequenino, branquinho de olhos azuis. Trouxe para o meu quintal, tentei dar um pouco de leite e arrumei um pano para ele.
O gato estava realmente muito assustado, não parava de miar... não ficava no pano e não tomava o leite.
Veja a situação... mais de meia noite, o gato miando na minha garagem, meus dois cachorros latindo desesperadamente dentro de casa querendo sair para pegar o gato... casas geminadas. Vocês imaginam como o meu vizinho deveria estar feliz.
Não teve jeito. Levei o gato para uma praça perto de casa. (sim, era mais de meia noite, meu marido foi comigo.) Deixei ele lá, com o leite, em um terreno do lado tinha um monte de gatos e na praça havia mais um filhote abandonado. (por pouco não resgatei todo mundo e levei de volta pra casa...)
Nunca fui uma pessoa muito de "gatos", sempre fui uma pessoa mais cachorro, só que naquela madrugada caiu um baita temporal, e deitada na minha cama ouvindo aquilo, não parei de imaginar o que será que deveria ter acontecido com aquele bichinho, tão pequenino, tão branquinho...
O fato é que, a gente vê como a gente é fraco perante tantas coisas da vida, eu quero dizer, fraco, no sentido de impotente... a gente sempre pode achar que vai ajudar uma causa, uma criança, um animal... existem muitas causas para serem apoiadas, mas todas elas exigem muito mais do que simples boa vontade e um copo de leite.
O que eu quero dizer é, o que necessita um gato??? Um pouco de comida, agua e um teto? Se mesmo eu querendo muito, nem isso não pude dar pra ele, imagine ajudar crianças, famílias, países????
Seré mesmo que eu faço a minha parte ligando para o Crianças esperança, para o teleton, ou doando uma ou outra quantia para uma ong?
Não sei se é pouco, o ser humano em alguns casos é essencialmente egoísta, e outros essencialmente altruísta. Eu só quero mesmo elogiar e admirar de coração voluntários de qualquer causa que seja, aqueles que param por uma hora, meio dia ou um dia de sua vida para dedicar totalmente a um total desconhecido. Eu realmente acho que eles fazem muito mesmo, não é fácil nem mesmo ajudar um gatinho, parabéns aqueles que ajudam pessoas, de coração.
Boa noite!